Um filho rico de um rico pastor, escrevendo sobre sua vida dentro e fora da igreja; em uma sutil forma de poesia.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"A Garota do Banco da Frente

De uma sedutora forma eu te chamo,
Com meu sangue fervendo, um desejo que canta,
Isto aos poucos me deixa insano,
Quanto mais penso, mais este desejo avança;

O pastor prega e se emociona, mas não o escuto,
Os irmãos dão aleluia, porém imaginam jamais,
Que sinto tal pecado lascivo e absurdo,
Vindo dos prazeres mais infernais;

Tento segurar, mas caio em tentação,
A carne é fraca, quero te conhecer com a mão,
Olho para os lados e não consigo evitar,
Quanto mais te quero, mais eu quero te tocar;

Não vou esperar, eu te quero agora,
Minha carne quer a sua,
E vejo seu corpo rastejar e implorar,
Para te tocar, completamente nua."

"Ao Redor

Será inútil?
O cheiro das rosas no campo,
Espalhando aroma para ninguém sentir,
Pintando em cores onde ninguém está olhando;

Para quê?
A água da chuva cair nos mares,
Gota por gota, aos milhares,
Sem alterar ou fazer seus famosos milagres;

Tentar?
Gritar pelo bem e ninguém ouvir,
Aproximar-se quando não há interesse,
Lutar pela vitória sem que algúem vencesse;

Tem por quê?
A vida se encerrar na morte,
Ter um filho e largá-lo a sorte,
Querer mudar o mundo sem alguém que se importe;

Tentar?
Para quê?
Tem por quê?
Será inútil."

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"Perigo

Tento entender,
Por que justamente você,
Enxerga algum perigo ao me ver;

Quando tenho certeza,
Que olhando sua enganosa sutileza,
O perigo aparece de surpresa;

Seus longos cabelos ondulados e bem cuidados,
Sua pela tão branca e charmosa,
Fecho os olhos e sinto seus lábios,
Esta não é uma luta justa e nem honrosa;

E eu sei que você sabe afinal,
Então não é preciso explicar,
O perigo mortal,
Que vejo inevitavelmente se aproximar;

Perigo e amor andam juntos,
Um é intenso e o outro profundo,
Os dois se completam e formam um conjunto;

Difícil de separar,
E fácil de se perder,
Incomun de se encontrar,
Mas descobri um dos dois em você."

"Não Tenho Mais Alma

Não tenho mais alma,
Só meu corpo ruge,
Minha mente corre sem sentimentos para o nada;

Agora caço o amor,
E sua esperança,
Meu coração já está cheio da lembrança;

De decepção,
Ela dói todo dia,
Quem sabe em breve minha mão sufocaria;

Meu desejo de amar,
Jeito fraco de ser,
Hoje o amor saberá o que é morrer;

Não acredito,
Sequer em um choro, sequer uma lágrima
Este é meu veredito;

Pois não tenho esse lado,
Ou de mim fora roubado,
De qualquer maneira ninguém irá vê-lo;

E espero mostrar,
O que aprendi,
O tempo dirá o que posso mudar;

Sempre estranhei,
Quando o amor eu alcancei,
'Três, dois, um, FOGO!' minha mente me diz;

Mas às vezes eu não sei,
Se devo atirar para matar;
Algo me diz que ainda consigo amar;


Talvez de um outro modo,
Será mesmo que eu posso?
Mas prometo nunca mais chorar;

Minhas razões apenas podem ser vistas,
Por aquele que perdeu seu amor,
De maneira fria,
E para sempre gostaria;

De andar na escuridão,
Protegendo seu coração,
Do amor sem igualdade,
Então por favor, sem amor por bondade..."

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"Vingança

As sombras reinaram,
Em meu coração,
Eles acabaram,
Com a minha emoção;

O céu fechou seus olhos,
Para o que vai acontecer,
Não esperam pelo que posso,
E irei fazer;

Não direi a hora,
Muito menos haverá misericórdia,
Não vou bater, arrombarei a porta,
Não funcionará ser aquele que chora;

Minha vingança será perfeita,
Onde os supostos heróis irão falhar,
A vingança é uma fiel companheira,
E da minha ninguém escapará;

A mão que os afagava com carinho e suavidade,
Esmurrará até os ossos com brutalidade,
A boca que os beijava com amor e prazer,
Cuspirá nos restos de quem irá morrer;

A minha vingança,
Satisfaço em segredo,
Quando arrancaram de mim a esperança,
Ela me deu um coração negro."

"Teatro Dominical

Todo domingo eu me vestia,
De um personagem estranho,
Para uma peça que odeio,
E a fiz por anos;

Eu fui obrigado,
Mas era um bom ator,
Quem disse que era fácil ser o filho do pastor?

Todo domingo eu recebia,
Elogios da platéia,
Para eles era um romance,
Para mim uma tragédia;

Viver a agonia,
De esconder quem eu sou,
Quem disse que era fácil ser o filho do pastor?

Todo domingo eu pedia,
Ao querido Deus,
Simplesmente uma família,
Onde eu fosse apenas eu;

Encerrando esta peça,
E seu cenário sem amor,
Quem disse que era fácil ser o filho do pastor?"

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Jardim da Retribuição

Nos ramos secos de uma árvore gélida,
Árvore a qual ninguém iria imaginar,
O meu estranho amor fez uma singela rosa a brotar,
E vi o quanto ela foi intrépida;

Vede, até lírios cresceram e formou-se um jardim,
E o meu amor em seu beneplácito o tem aguado,
Mas não queria acreditar que dentro de mim,
Eu o tivesse regado;

Porque meu coração já vivia a dizer:
'Este jardim jamais poderia crescer',
E eu não queria acreditar,
Que por este jardim me deixei encantar;

Não sei se este jardim será meu,
E por mais que eu o tenha cuidado,
Não é minha sua beleza, sendo da beleza o apogeu,
Apesar de ter vindo de um lugar tão escasso;

É injusto quando amo este jardim,
Talvez por não haver reciprocidade,
À medida em que eu o admiro no não ou no sim,
Qualquer um pode apreciar sua explêndida folhagem;

Queria poder retribuir de igual modo,
A tortura contínua a qual este jardim causa em meu solo,
Juro finalmente: jamais irei esperar,
Em arrancar outra rosa que não brote devagar;

Porque as rosas e jardins não nascidos assim,
Tendem a jogar a sequidão donde vieram,
Aos seus semeadores sem saberem ao certo,
O pobre futuro que os esperam sem determinado fim;

E por mais que eu o expobre,
Sem explicação o alimento em perdão,
Isto mostra que no amor não há espaço para o pobre,
Pois quem o for, secará no Jardim da Retribuição."

"Santa Ilusão

As pessoas constantemente oram,
Clamando por salvação,
Enquanto os mesmos ignoram,
Quem está caído no chão;

As pessoas louvam incessantemente,
O santíssimo nome do Senhor com grandeza,
Não ouvindo hipocritamente,
Os que lá fora se afogam em tristeza;

As pessoas pregam,
Ser Jesus Cristo o único caminho,
E os mesmos O negam,
Degustando carnalmente do pão e do vinho;

E se alguém deste modo acha,
Que no Juízo Final receberá o perdão,
Verá desesperado que tudo não passa,
De uma santa ilusão."