Um filho rico de um rico pastor, escrevendo sobre sua vida dentro e fora da igreja; em uma sutil forma de poesia.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"O Pai Nosso Hoje

Pai nosso, estais no céu?
Santificado seja qual for o seu nome,
Venha a nós acho que vosso reino,
Mas lembro muito bem da minha vontade;

E assim na terra como no céu,
O meu pão de cada dia eu quero hoje,
Esueças as minhas ofensas,
Não como eu venho guardando;

As ofensas dos meus inimigos,
Dependendo da tenção podes me deixar cair,
Mas me livra de todo mal...
É agora que vem o 'amém'?"

"Entre Nós

Por que não esquecemos esses demônios e anjos,
Essa guerra sem fim entre luz e trevas,
Depois de todos estes anos,
Por que tu ainda esperas?

Esqueça também as denominações e suas doutrinas,
Feche os olhos e seja aquela que sente,
Não importa mais se sou infernal ou se você é divina,
Estou aqui, como sempre;

Por que não sequer tentar?
Simplesmente por não haver a mesma fé?
Então me pergunto que Deus é este O qual irá condenar,
O amor sincero entre um homem e uma mulher;

E se um demônio eu sou,
Não poderia chorar?
Se inveja e raiva são a razão de minha queda e dor,
Por que em mim não haveria também o desejo de amar?

Nada é impossível,
Principalmente entre nós,
Quero apenas sua alma acessível,
Para ouvir a minha voz."

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"Lithy

No inferno não me sinto solitário,
Pois das que eu tenho ao meu lado,
Ela é a minha favorita,
Com ela sinto uma atração silenciosa e inevitável;

Sei que fostes recusada,
Refugiada entre nós por seu próprio mérito,
E quem sou eu para negar aquela que me agrada?
Sempre terás lugar em meu grande império;

Aqui, és rainha soberana,
Não te preocupes com outras concumbinas,
Pois haveria outra pela qual se chama?
De preferida de Lúcifer, preciosa Lilith?

Sei o que fazes e podes até estar distante,
Mas nunca o suficiente,
E seria até ultrajante,
Pensar que agora podes fugir completamente;

Não há mais volta,
E sei que estou em seus desejos,
E sabe por que você se importa?
Porque até nós, demônios, temos nossos medos;

E ao mesmo tempo que temes,
Do que pode acontecer,
Sei que como mulher gemes,
Imaginando nosso prazer;

E quando você finalmente chegar,
Esteja à vontade para fazer o que quiser comigo,
Porque eu e você só temos a ganhar,
Estou te esperando, querida Lithy."

"Humanidade

Agradeço a Deus,
Por nos criar humanos,
Cheios de enganos,
Diferente dos anjos seus;

Deles a pena mais sincera eu sentiria,
Pois não consigo imaginar,
Como seria viver sem poder ao menos chorar,
Sem experimentar e saber como algo novo seria; 

Sinto pavor só de pensar na possibilidade,
De minha vida poder ser expressa em um gráfico linear,
Sem indicar altos e baixos que comprovem minha humanidade,
Longe da perfeição a qual nunca pretendo alcançar;

Dela eu tenho receio,
E nela há do mundo o maior engano,
Pois quem bate no peito e se diz perfeito,
Mal sabe que depende de meus defeitos,

E de mim, que sou humano."

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Salvos e Condenados

Não se iluda,
Deus criou e sabe de tudo,
Seu presente, passado e futuro,
E a Ele não se julga;

Antes mesmo de você nascer,
Ele sabe tudo que irás fazer,
Então como podes tu escolher?
O rumo da sua vida sem a Ele obedecer?

O livre arbítrio não existe,
Pois nada acontece sem que Ele queira,
Ou Ele permite,
No fim das contas tudo é da Sua maneira;

Sendo assim,
Ele sabe com toda sua divindade,
Do começo ao fim,
Quem será salvo ou condenado pela eternidade;

Querendo ou não, somos predestinados,
Ou Deus não sabe de todas as coisas,
E assim não é o Deus a quem muitos têm louvado,
Esta é a verdade e não tente encontrar outras;

A decisão do que fazer é 'sua',
Por isto seja rápido,
Esta é a realidade nua e crua:
Você será salvo ou condenado?"

"Lua Vermelha

Olho para lua e a vejo em vermelho,
Agora percebi o quanto ela ilumina esta praia,
Mas as estrelas se apagaram com receio,
De ver um amor que se afogava;

A agonia paira sobre o mar,
Apenas enxergo a escuridão em seus olhos,
Ando por meus pensamentos bem devagar,
E nada sinto além do ódio;

Foi como correr para entrar antes da porta se fechar,
E apesar de tentar desesperamente,
Não consegui te alcançar e conseqüentemente,
Nada pude fazer além de olhar;

Como se quanto mais eu chorava,
Mais você se afastava,
E pior, de maneira lenta e dolorosa,
Por que você fez isto? Sua mentirosa;

Achei que tivesse conseguido,
Convencer-te da nossa felicidade,
Apesar do que tinhas sofrido,
Nas mãos de um destino tão covarde;

Agora estou aqui, ajoelhado na areia,
Com você em meus braços, chorando porque acabou,
Soluçando em prantos perguntei à lua vermelha,
Por que você se matou...?"

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"Falta de Leitura

Agora todos buscam as bençãos,
Não mais o Deus delas,
E assim eles pensam,
Que sua religião é singela;

Sem angústia e julgamento,
Sem renúncia e entendimento,
Alienados por um pastor,
De palavras amáveis como uma frágil flor;

Todavia não sinto este aroma no ar,
É muito diferente de flores ou rosas,
Torna-se difícil de 'contar',
Porque são muitas as notas;

Os pobres não ofertam mais o que têm,
Oferecem o que devem,
Para no fim ouvir de alguém,
Que as igrejas não os querem;

A fé ignorante,
É um negócio lucrativo,
De característica marcante:
Facilmente se fica rico;

Basta apenas ter eloqüência,
Demonstrar segurança,
E enganar a consciência,
De quem às vezes nada tinha além da esperança."

"Sentimentos

Quem será o criador,
Principalmente do amor?
Qual era a sua intenção,
Viciar o coração?

É tão estranho saber,
Para um coração poder viver,
Ele precisa amar,
Mas nem sempre é bom se arriscar;

Quantos príncipes e donzelas,
Encerraram suas vidas tão belas,
Por causa de um amor? Porém, isto é o amor,
Sempre distante, mas nunca o bastante da dor;

Os sentimentos são assim,
Eles te traem no fim,
Não há como mudar,
Esta é a verdade e ai de quem duvidar;

Pois será o primeiro,
A cair de um jeito,
Que será difícil se levantar,
E por esta razão eu não vou deixar;

Este amor entrar e nem se envolver,
Com meu coração que está sedento,
Porque ele me fará sofrer,
Nós somos viciados em sentimentos;

E quando for preciso retirá-lo,
Ele arrancará de mim um pedaço,
Com certeza irá doer,
E que a lágrima venha a escorrer;

De meus pobres olhos,
Ricos de ódio,
Querendo simplesmente revidar,
Mas será melhor esperar, e que os mesmos venham a secar."